É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
Um pingo pingando, uma conta um conto
Um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
O projeto da casa, é o corpo na cama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
trechos selecionados de Águas de março - João Gilberto
quarta-feira, 18 de março de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Das águas de março, é o fim da canseira♫
então pra que dormir tanto? ^o)
estranho.
Postar um comentário